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EBOLA SE ALASTRA PELA ÁFRICA
CENTRAL COM VELOCIDADE:
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Informações colhidas de despachos
internacionais e advertência facultativa da Organização Mundial
da Saúde, Relatam que as vítimas do Ebola morrem “com espantosa
rapidez”.“O Ebola nos flagela sem trégua”, lamentou um habitante
da região. Autoridades congolesas dão conta de 136 óbitos
atribuídos ao vírus, além de mais de 514 casos tidos por
suspeitos. |
Noticia-se ainda um
falecimento em território de Uganda, para além da fronteira. A
doutora Anne Ancia, da OMS, declarou que, à medida que se aprofundam
as investigações, torna-se mais patente que os focos do mal já se
estenderam a outras comarcas. Estimativas divulgadas dia 18/05, pelo
Centro MRC de Análise de Moléstias Infecciosas Globais, de Londres,
apontam para sub-notificação “considerável”. Não se exclui a
hipótese de já se contarem mais de mil enfermos.
O estudo assevera que o
surto presente “excede o que até aqui se avaliava” e que sua “real
extensão permanece ignota”. Um homem que se apresentou como Bigboy
disse haver “grande temor” entre os seus e que todos procuram
acautelar-se como podem. Mencionou a lavagem das mãos em água
límpida, embora desejasse dispor de outros meios de resguardo, como
as máscaras de rosto. Outro morador de Ituri, Alfred Giza, afirmou
que a comunidade tem consciência da ameaça e ambiciona receber
máscaras, mas confessou não saber como proceder caso um parente ou
amigo contraia o mal. A Cruz Vermelha adverte que a epidemia pode
espalhar-se com rapidez se os casos não forem identificados de
princípio, se faltarem esclarecimentos ao povo e se os serviços de
saúde vierem a falhar. “Todas estas condições se verificam”, declara
a entidade. O presidente da República Democrática do Congo, Félix
Tshisekedi, convocou reunião de urgência na noite de 18 de maio.
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No dia
seguinte, pediu “serenidade” aos concidadãos e recomendou vigilância
constante. O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus,
declarou o surto como emergência de alcance internacional na semana
transata. Disse estar “profundamente apreensivo com a amplitude e a
velocidade da epidemia”.
A
declaração de emergência deu-se na noite de 16 de maio. O comitê de
emergência da Organização deverá reunir-se em breve para examinar o
quadro e indicar as intervenções médicas prioritárias. Ainda que
escasseiem recursos, a OMS já destinou cerca de 4 milhões de
dólares, perto de 20,2 milhões de reais ao câmbio corrente, ao
combate do Ebola. Estima-se, todavia, que maiores valores serão
necessários.
O surto
avança em territórios já fustigados por anos de lutas. Hospitais e
postos de saúde jazem arruinados ou destruídos, e milhões de pessoas
abandonaram os lares, vivendo agora em condições insalubres.
Somam-se mais de 11 mil refugiados oriundos dos combates no Sudão do
Sul, além do contínuo trânsito de homens que demandam as lavras de
ouro da região. Teme-se que o mal tenha se espalhado por semanas
antes de ser identificado, o que só ocorreu aos 24 de abril.
Não
existe vacina para o vírus ora predominante. Não obstante, a OMS
avalia se outras drogas poderão conferir amparo aos expostos. Em
entrevista ao programa Newsday, do Serviço Mundial da BBC, a doutora
Ancia asseverou que Ituri é “região de grande insegurança, com
intensos deslocamentos de população”, o que entrava os trabalhos de
investigação e contenção.“Quanto mais perscrutamos este surto, mais
nos certificamos de que ele já transpôs, ao menos em parte, a
fronteira e alcançou outras províncias”, explicou a doutora.
O mal já
se propagou à província do Kivu do Sul, já assolada por crise
humanitária de anos. Registrou-se também um caso em Goma, maior
cidade do oriente congolês, com cerca de 850 mil habitantes, hoje
sob domínio de rebeldes apoiados por Ruanda. A instabilidade que
grassa em diversas províncias impele os povos a contínuas mudanças,
o que agrava o risco de disseminação, nota a médica.
Várias
nações africanas redobram cautelas, reforçando as fronteiras e
aparelhando os estabelecimentos de saúde. A vizinha Ruanda fechou os
limites com o Congo, ao passo que Uganda aconselha o povo a evitar
abraços e apertos de mão. Um cidadão norte-americano, que manifestou
sintomas no fim de semana de 16 e 17 de maio, está sendo evacuado da
República Democrática do Congo. O Ministério da Saúde da Alemanha
informou que o enfermo será tratado em solo germânico.
Os
Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos
declararam trabalhar para remover ao menos outros seis compatriotas
expostos ao vírus. A OMS e outras entidades colaboram com governos e
comunidades para conter a difusão do mal. Instam os moradores a
adotar medidas preventivas e a procurar o posto sanitário mais
próximo ante qualquer sintoma.
O Ebola
é causado por vírus. Seus sinais iniciais assemelham-se aos da
influenza: febre, cefaléia e lassidão. Com o avançar da doença,
sobrevêm vômitos e diarréias. Certos órgãos entram em colapso e, em
alguns doentes, manifestam-se hemorragias internas e externas. A
transmissão dá-se de pessoa a pessoa pelo contacto com secreções
corporais contaminadas, como sangue e vômito.
A
variante Bundibugyo, responsável pelo surto atual, é rara. Provocou
até hoje apenas dois surtos, ceifando cerca de um terço dos
infectados. Entre 2014 e 2016, mais de 28.600 pessoas foram
acometidas pelo Ebola na África Ocidental. Foi o maior surto desde a
descoberta do vírus, em 1976. Naquela ocasião, a variante Zaire,
para a qual há vacina aprovada, espalhou-se por Guiné, Serra Leoa,
Estados Unidos, Itália e Reino Unido, levando a óbito 11.325
pessoas.
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